terça-feira, 17 de maio de 2016

Quero ser realmente assertivo? Como posso ser mais assertivo?

Algum tempo atrás escrevi aqui no blogue o artigo “A importância de nos fazermos entender”, onde coloco que no meio profissional, mas também no ambiente familiar, conjugal e social, é essencial uma boa comunicação, para facilitar o desenvolvimento de relações saudáveis e evitar desentendimentos. Hoje vou-me focar apenas num aspecto da comunicação, mas aspecto esse essencial para a construção de qualquer relação saudável: a assertividade.

Muitas pessoas confundem o ser assertivo com o ser simpático, amável e dizer tudo o que pensa. Há outras pessoas que acham que o ser assertivo é ser um pouco arrogante. Então e se eu disser que a assertividade é um equilíbrio? A assertividade é a capacidade de defendermos os nossos próprios direitos e exprimir pensamentos, sentimentos e convicções de forma apropriada, directa e honesta, sem nos deixarmos manipular, sem manipular e sem violar os direitos dos outros. É um estilo de comunicação que nos permite ser mais constructivos na relação com os outros, proporcionando uma maior proximidade entre as pessoas e uma maior satisfação na comunicação das nossas emoções. Não é uma característica inata ou um traço de personalidade, o que acontece é que as aprendizagens que fazemos ao longo da nossa vida nos conduzem a que, num determinado momento, tenhamos ou não a capacidade de nos comportarmos de forma assertiva. A assertividade é uma aptidão que pode ser aprendida, que cada um pode desenvolver através de treino.

Embora seja difícil dizer quais os motivos específicos que fazem com que em determinados momentos e com determinadas pessoas, tenhamos dificuldade em nos comportarmos de forma assertiva, existem alguns factores que podem ser considerados, tais como: punição (se no passado existiram punições físicas ou verbais pelo comportamento assertivo em momentos semelhantes), reforço (se em situações anteriores existiram recompensas pelo comportamento não assertivo em momentos semelhantes), modelagem (por observação e imitação do comportamento não assertivo de pessoas próximas e significativas, como por exemplo os pais), falta de oportunidade (se no passado não existiram oportunidades para se aprender formas de comportamento mais adequadas e assim, quando ocorre uma situação nova, não se sabe como gerir e surge a sensação de desconforto por essa falta de conhecimento), padrões culturais e crenças pessoais (por exemplo “é falta de educação recusar a pedidos”, ou “quero que todas as pessoas gostem de mim”, que se aprende ao longo da vida, podem ser determinantes contra a assertividade, resultando em respostas não assertivas), incerteza relativamente aos próprios direitos (por não se saber os direitos em determinadas situações sociais).

Assim, e voltando ao que disse acima, a assertividade é uma aptidão que pode ser aprendida, que cada um pode desenvolver através de treino, ou seja, a assertividade acaba por ser uma escolha e da mesma forma que aprendemos a comportarmo-nos de uma maneira não assertiva, podemos aprender um conjunto de competências que nos permita comportarmo-nos de forma mais assertiva.

E já agora, quais as vantagens de sermos assertivos? Ao sermos assertivos temos respeito por nós próprios e valorizamos a nossa opinião ao mesmo tempo que respeitamos que o outro tem uma opinião diferente, reduzimos a sensação de insegurança e vulnerabilidade, aumentamos a nossa autoconfiança e a autoconfiança no relacionamento com os outros, e diminuímos a necessidade de aprovação daquilo que fazemos. A assertividade permite defendermos os nossos direitos, que as nossas preferências sejam respeitadas e as nossas necessidades satisfeitas. Agir de forma assertiva não tem como objetivo ganhar, mas sim de considerar os interesses de ambas as partes envolvidas e de os negociar para que se chegue a um acordo.

Então... como nos podemos tornar mais assertivos? A primeira mudança é interna, porque podemos dizer que queremos ser mais assertivos, mas determinados pensamentos bloqueadores estarem a criar resistência na nossa acção. É importante percebermos o que realmente está na base desses pensamentos, porque muitas vezes reflectem uma crença nossa, importante a ser explorada.

E por fim, deixo aqui uma sugestão, porque não escrever uma lista dos seus direitos? Por exemplo:
- Tenho o direito de ser respeitado e tratado de igual para igual, independente da situação, das minhas funções ou do meu estatuto social,
- Tenho o direito de manter os meus valores, desde que eles respeitem os direitos dos outros,
- Tenho o direito de pensar antes de agir ou de tomar uma decisão,
- Tenho o direito de expressar os meus sentimentos e opiniões,
- Tenho o direito de mudar de opinião,
- Tenho o direito de expressar as minhas necessidades e de pedir o que quero,
- Tenho o direito de dizer NÂO sem sentir culpa por isso,
- Tenho o direito de pedir ajuda e de escolher se quero ajudar alguém,
- Tenho o direito de cometer erros, sem sentir culpa,
- Tenho o direito de ter os meus objectivos e de lutar para os atingir, respeitando os direitos dos outros.
- Tenho direito de ...

 Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

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