Mostrar mensagens com a etiqueta Compreensão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Compreensão. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Todos Frágeis, Todos Iguais e Todos Preciosos


Todos nós já vivemos períodos conturbados, suscetíveis de abalar o nosso equilíbrio emocional e ninguém está imune a isso.
Cada um de nós, dentro das nossas vulnerabilidades e capacidades, procura lidar da melhor maneira possível com as suas emoções destablizadoras. A pesquisa e a procura de informações, bem como de sugestões e opiniões de terceiros constitui-se como uma estratégia de coping mas tão ou mais importante que isso, é processar e integrar internamente esses dados de modo a que nos façam sentido dentro do nosso temperamento e funcionamento. Somos todos diferentes e não há receitas mágicas que resultem de igual maneira para todos.
Este processo de tentativa de ajuste e de procura do reequilíbrio pode constituir-se como uma verdadeira luta interna e seguir as recomendações de promoção de saúde mental como a realização de exercício físico, relaxamento, cumprimento de horários e rotinas pode ser particularmente difícil sobretudo quando dominam os sentimentos de  incapacidade, angústia, tristeza e falta de energia.
Esta luta interna pode, em muitos casos, ser vivida de forma silenciosa nomeadamente, por vergonha e culpa em se expor as fragilidades emocionais, desiludir, fracassar, preocupar e sobrecarregar emocionalmente familiares e amigos.
Esta é uma realidade que pode ser transversal a todos os seres humanos, nomeadamente aos  profissionais de saúde mental, que não estão imunes a ela e que têm para além disso o sentido de dever de ajudarem os outros. Importa não esquecer que somos todos humanos e citando o papa Francisco “Somos todos frágeis, todos iguais e todos preciosos.” É importante estarmos atentos aos que estão à nossa volta e de não nos distanciarmos emocionalmente para que ninguém fique efetivamente sozinho, nomeadamente na sua angústia e desespero.
A disponibilidade para oferecer o seu tempo e ouvir sem críticas e julgamentos a experiência do outro, pode ser desde logo de grande utilidade. A empatia e a validação  da experiência sem aumentar ainda mais a ansiedade e o medo, podem proporcionar um sentimento de compreensão que pode ser tranquilizador. Fazer perguntas que deixem o outro à vontade para se abrir e pensar a sua experiência de forma diferente, num ambiente seguro e solidário poderá fazer a diferença, bem como sugerir atividades que proporcionem um alívio dos sintomas. 
A procura de acompanhamento especializado poderá igualmente ser um recurso importante na promoção da estabilidade emocional e na adaptação às circunstâncias adversas.

Artigo publicado na Revista Psicologia na Actualidade, Psychology Now, nº 59 Out-Nov-Dez 2022.

sábado, 17 de outubro de 2020

Todos frágeis, todos iguais e todos preciosos




            Todos nós já vivemos períodos conturbados, suscetíveis de abalar o nosso equilíbrio emocional e ninguém está imune a isso.
Cada um de nós, dentro das nossas vulnerabilidades e capacidades, procura lidar da melhor maneira possível com as suas emoções destablizadoras. A pesquisa e a procura de informações, bem como de sugestões e opiniões de terceiros constitui-se como uma estratégia de coping mas tão ou mais importante que isso, é processar e integrar internamente esses dados de modo a que nos façam sentido dentro do nosso temperamento e funcionamento. Somos todos diferentes e não há receitas mágicas que resultem de igual maneira para todos.
Este processo de tentativa de ajuste e de procura do reequilíbrio pode constituir-se como uma verdadeira luta interna e seguir as recomendações de promoção de saúde mental como a realização de exercício físico, relaxamento, cumprimento de horários e rotinas pode ser particularmente difícil sobretudo quando dominam os sentimentos de  incapacidade, angústia, tristeza e falta de energia.
Esta luta interna pode, em muitos casos, ser vivida de forma silenciosa nomeadamente, por vergonha e culpa em se expor as fragilidades emocionais, desiludir, fracassar, preocupar e sobrecarregar emocionalmente familiares e amigos.
Esta é uma realidade que pode ser transversal a todos os seres humanos, nomeadamente aos  profissionais de saúde mental, que não estão imunes a ela e que têm para além disso o sentido de dever de ajudarem os outros. Importa não esquecer que somos todos humanos e citando o papa Francisco “Somos todos frágeis, todos iguais e todos preciosos.” É importante estarmos atentos aos que estão à nossa volta e de não nos distanciarmos emocionalmente para que ninguém fique efetivamente sozinho, nomeadamente na sua angústia e desespero.
A disponibilidade para oferecer o seu tempo e ouvir sem críticas e julgamentos a experiência do outro, pode ser desde logo de grande utilidade. A empatia e a validação  da experiência sem aumentar ainda mais a ansiedade e o medo, podem proporcionar um sentimento de compreensão que pode ser tranquilizador. Fazer perguntas que deixem o outro à vontade para se abrir e pensar a sua experiência de forma diferente, num ambiente seguro e solidário poderá fazer a diferença, bem como sugerir atividades que proporcionem um alívio dos sintomas. 
A procura de acompanhamento especializado poderá igualmente ser um recurso importante na promoção da estabilidade emocional e na adaptação às circunstâncias adversas.

Artigo publicado na Revista Psicologia na Actualidade, Psychology Now, nº 51 Out-Nov-Dez 2020.


domingo, 8 de julho de 2018

“Jim Carrey: I Needed Color” – Como a arte ajudou Jim Carrey a superar a depressão



No mini-documentário de 6 minutos, Jim Carrey: I needed color, o ator fala sobre depressão e arte e conta como a pintura o ajudou a superar a doença, afirmando que “eu não sei o que a pintura me ensina, mas sei que me liberta. Liiberta-me do futuro, liberta-me do passado, liberta -me do arrependimento, liberta-me da preocupação.
O vídeo, que já  conseguiu atingir 6 milhões de telespectadores, é carregado de sensibilidade e mostra um Jim Carrey reveladoramente humano que, há cerca de seis anos, sentiu a necessidade de se expressar pela arte, quando procurava “curar um coração partido” e mergulhar nos seus sentimentos sem se afogar nas mágoas.
Ficamos a conhecer outra face do artista que fez carreira a provocar o riso enquanto lutava contra os demónios interiores de uma depressão.
Neste mini-documentário o ator revela a inspiração dos tempos de infância, de pobreza, isolado no seu quarto, a ler poesia e outras razões que o ajudam a compor as suas criações.
A depressão, que atualmente atinge mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), é assim contornada por meio dos pincéis e das cores pelo astro do cinema.
A arte é reconhecida como um meio terapêutico, uma via importante para externalizar as emoções, compreende-las e superá-las.




terça-feira, 24 de abril de 2018

A arte de apanhar ondas

Não nos sentirmos satisfeitos num determinado momento com o nosso trabalho, não nos sentirmos inteiramente felizes na nossa relação, não nos sentirmos assim tão bem com os nossos amigos... tudo isto pode acontecer de forma natural num determinado momento... A reflexão sobre a causa dessas insatisfações, assim como a partilha com as pessoas mais  próximas, pode ajudar a que essas sensações sejam ultrapassadas.

No entanto, se essas sensações estão presentes constantemente, com diversas pessoas e em várias situações e contextos, poderá ser essencial perceber o que está por detrás disso!

Algumas pessoas nestas situações sentem que estão num local que não escolheram, a fazer o que não lhes apetece, com alguém que já deixou de fazer sentido estar... e é como se tivessem acordado num lugar, sem saber onde.

Costumo utilizar a metáfora de uma onda. Podemos estar na praia e apanhar a nossa onda, sabendo mais ou menos em que direcção vamos, ou podemos aproveitar a boleia da onda de alguém... no entanto, o destino dessa onda tende a ser escolhido pela pessoa que inicialmente a apanhou. E se tendencialmente formos uma pessoa que apanha boleia? E se nos virmos constantemente a chegar a um destino que não nos faz muito sentido? 

Existem pessoas que podem estar nessa posição durante anos e anos, que encontram vários aspectos positivos de se apanhar boleia das ondas dos outros, e sentem-se bem dessa forma. A questão surge quando as pessoas não se sentem satisfeitas com a sua vida. Algumas não se apercebem do motivo e outras, mesmo depois de se aperceberem,  têm dificuldade em cortar com estes padrões de comportamentos. 

Existem diversas razões que influenciam uma pessoa a colocar-se nessa posição. No entanto, a tomada de consciência das nossas necessidades, dos nossos comportamentos e das consequência destes, ajudar-nos-á a compreender o que nos fará mais felizes e como nos reposicionar perante determinadas situações.


Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Uma boa comunicação – A base para qualquer tipo de relação

Em qualquer tipo de relação que se cria e /ou que se mantém, um dos aspectos essenciais é a comunicação. A comunicação é o processo pela qual trocamos informações, questionamos, partilhamos os nossos pensamentos e emoções. É a base para um bom entendimento.

No meio profissional, no ambiente familiar, conjugal e social, é fundamental uma boa comunicação, para facilitar o desenvolvimento dessas relações.

Uma boa comunicação não é uma linguagem com palavras bonitas, caras ou sofisticadas. O ser-se compreendido de forma eficaz só é possível através de uma boa comunicação, e essa habilidade é possível a todos, mesmo com uma linguagem simples.

Então, quais são os aspectos a que devemos estar mais atentos para nos fazermos entender?

1- É fundamental ter-se uma ideia bem clara do que queremos passar à outra pessoa.

2- Manter-se o foco na ideia que se pretende transmitir e não agarrar outros temas, mesmo que estejam relacionados. O desviar da ideia principal, pode criar confusão a quem nos ouve.

3- Ter o objectivo bem definido e certificarmo-nos que a(s) outra(s) pessoa(s) recebe(m) a informação que queremos passar.

4- Quando achamos que algo é óbvio, não significa que para a outra pessoa também o é, por isso é muito importante tornar o implícito em explícito. A outra pessoa não pensa como nós nem nos lê os pensamentos.

5- Dar atenção à linguagem verbal mas também à não verbal. A linguagem corporal e o tom de voz têm uma grande importância na comunicação. Não adianta estarmos a utilizar palavras simpáticas se a nossa postura é agressiva. Procurar uma coerência entre o que se diz e como se diz, vai facilitar a comunicação.

6- Não falar apenas, mas criar espaço e permitir ouvir o outro (é essencial irmos percebendo o feedback do outro para percebermos se nos está a compreender).

7- Saber ouvir é também saber comunicar. Quando a outra pessoa fala, ouvir realmente o que está a dizer, sem interromper. Uma escuta activa e empática ajuda bastante e quando não entendemos algo, questionamos no final.

8- Saber aceitar as críticas da outra pessoa sem nos colocarmos na defensiva. Mesmo que a crítica não seja fácil de ouvir, é importante entender o que pensa e sente a outra pessoa, apenas assim se podem resolver os problemas.

9- Aceitar as diferenças. As pessoas são diferentes e é essencial aceitar que cada pessoa vê e sente de forma diferente, e às vezes muito diferentes. Por mais que seja diferente, não significa que é a nossa ou a do outro que esteja errada. Se não é possível chegar a um acordo, é importante tentar chegar a um entendimento mútuo onde se respeitam ambas as partes.


Todos somos diferentes, não vamos pensar exactamente o mesmo sobre os diversos temas. Saber ouvir, saber aceitar as diferenças e demonstrar respeito pelas críticas é essencial para uma comunicação saudável e, desta forma para relações saudáveis.

Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

domingo, 26 de novembro de 2017

Empatia e Simpatia: qual a diferença?




Os conceitos de simpatia e empatia, apesar de muito utilizados, continuam a ser objeto de confusão e nem sempre são empregues da forma mais adequada.
Podemos entender a simpatia como um sentimento de afinidade com determinada pessoa, que leva o indivíduo a estabelecer uma harmonia no encontro com ela. Simpatizamos com amigos e com as pessoas com quem partilhamos afinidades, interesses e valores e nas quais reconhecemos alguma compatibilidade e complementaridade com o nosso funcionamento.
Por seu lado, a empatia implica a capacidade de nos posicionarmos no lugar do outro para compreendermos a sua realidade interna, independentemente da pessoa em questão, de estarmos ou não de acordo com ela ou de simpatizarmos ou não com ela. A empatia genuína está ao serviço da comunhão emocional, da aceitação e do respeito pelo outro e pela sua realidade, o que implica uma atitude de não julgamento e de despojamento de preconceitos.
Demonstrar simpatia por alguém, isto é, gentiliza e amabilidade, sendo-se amistoso, agradável e educado, não implica necessariamente que também se seja empático. Muitas vezes, a simpatia pode até esconder uma empatia diminuta, nos casos em que a simpatia é utilizada para agradar e estimular no outro sentimentos positivos em relação a nós, com o intuito de se obter algum tipo de aprovação e valorização narcísica.
Quando somos empáticos, posicionamo-nos no lugar do outro para nos sentirmos em sintonia com as suas emoções e acedermos à compreensão do seu funcionamento. Este movimento empático implica olhar o outro com isenção, isto é, um olhar despojado dos próprios valores e preconceitos, reconhecendo e aceitando que há diferentes maneiras de operar.
A boa capacidade empática pode ser entendida como a capacidade de entender o outro tendo como enquadramento a realidade deste e nunca utilizando como referência a nossa experiência subjetiva. Quando colocamos os próprios sentimentos no outro, acabamos por incorrer numa confusão entre o eu e o outro. Exemplo disso, é o caso da pessoa que fica muito aflita ao percecionar o sofrimento de um animal que está com frio, ou que lhe prepara uma festa de anos como se isso tivesse significado para ele,  na medida em que já o vê na perspetiva de um humano e não enquanto um animal. Neste tipo de situações, em que a pessoa transporta para o outro a sua realidade, fica dificultada a possibilidade de conhecer e entender o outro tal como ele é, na sua alteridade e singularidade. As dificuldades de comunicação nas relações interpessoais, traduzem muitas vezes lacunas na empatia que não permitem a uma das partes colocar-se no lugar da outra, impondo ao invés a sua maneira de ser e estar na vida.

Na psicoterapia, o movimento empático é fundamental para se entrar em sintonia com o sofrimento do paciente mas importa não se tomar essas dores ou se ficar colado a elas, já que tal diminui a capacidade de ajuda. Depois de se ter captado essa informação, importa ao psicoterapeuta fazer o movimento de retorno à sua posição e a partir do seu ângulo poder devolver um sentido ao que está a ser manifestado, de uma forma mais clara, nítida e ajustada à pessoa em questão.