quinta-feira, 19 de maio de 2016

Mente sã em corpo são - uma construção diária

Dia 21 de Maio é o dia Nacional e Europeu de Obesidade, que visa sensibilizar a população para os perigos da obesidade e doenças associadas. Assim, aproveito este dia, não para sensibilizar apenas para os perigos da obesidade, mas para uma reflexão mais geral dos perigos das perturbações alimentares. Mais especificamente, sobre a importância que damos ao corpo e de que forma nos importamos realmente com o nosso bem-estar.
Se por um lado, temos uma sociedade que cada vez dá mais importância à imagem, e por isso nesta altura do ano começam as publicidades de todas e mais algumas marcas de comprimidos que nos fazem emagrecer, anúncios aos ginásios que tendem a encher a partir destes meses, tal como a saírem livros com as 1001 formas de fazermos dieta, por outro lado, temos a Organização Mundial de Saúde a revelar níveis preocupantes de excesso de peso resultantes de uma má alimentação e inactividade física, visto Portugal ter uma das maiores taxas de obesidade da União Europeia (quer a taxa infantil como a dos adultos).

Simplesmente, é preocupante! Estaremos a tentar encontrar formas fáceis e rápidas para chegarmos à imagem ideal, sem contudo alterar os nossos hábitos? Estaremos nestes meses a tentar “compensar” a falta de investimento no nosso bem-estar que tivemos ao longo do ano? Será esta preocupação real, apesar de sazonal? Podemos reflectir e sugerir várias possibilidades para tentar explicar estas situações, contudo o que mais me interessa é fomentar uma reflexão consciente sobre a relação que temos com o nosso corpo e que relação criamos com a comida.

Todos nós temos hábitos e costumes alimentares diferentes e é natural que a forma como nos alimentamos seja afectada por vivências e acontecimentos na nossa vida que nos fazem sentir mais ansiosos, mais tensos, irritados ou tristes. É comum o desejo de comer mais, ou comer alimentos específicos como por exemplo o chocolate, ou perdermos o apetite quando nos sentimos mais tristes. E, naturalmente quando as situações são ultrapassadas o nosso padrão alimentar regressa ao usual. Contudo, caso essa alteração (de comer muito mais ou de comer muito menos) se prolongue no tempo, podemos desenvolver uma perturbação alimentar. A forma como encaramos a comida pode-se alterar e o nosso dia-a-dia pode até ser gerido com a comida como tema central. Os nossos pensamentos podem começar a ser constantes e relacionados com a comida (ou com o nosso peso) e podemos não comer apesar de termos fome, ou comer constantemente ou compulsivamente, mesmo sem termos fome.

Apesar de termos aqui o conceito de comida como tema central, visto muitas das vezes os hábitos e costumes alimentares serem uma fonte de dificuldade no encontro com uma alimentação saudável e equilibrada, as perturbações alimentares também estão relacionadas com outras dificuldades e problemáticas, e muitas vezes a comida é uma forma de fuga / compensação, para desviarmos a atenção de outros problemas emocionais e afectivos. Existem várias perturbações alimentares: a anorexia, a bulimia e as compulsões alimentares (que muitas vezes estão na base da obesidade). Todas elas se caracterizam por uma preocupação exagerada com a alimentação, o exercício físico, o peso ou a forma do corpo.

Como podemos ter uma mente sã em corpo são? Naturalmente, todos nós gostaríamos de ter acesso à fórmula mágica, de preferência que não desse muito trabalho. Se calhar a grande maioria de nós gostaria de poder comer tudo o que gosta sem restrições e se calhar não praticar muito desporto... Não vale a pena iludirmo-nos, porque sim, requer trabalho. Muito? Pouco? Depende... Mas se tentarmos retirar prazer nisso, esse trabalho será sem dúvida bem mais fácil. É importante olharmos para esse trabalho como um processo de toda a vida, uma construção diária, em que damos atenção ao que estamos a sentir, aos sinais que o nosso corpo nos vai transmitindo e vamos criando o nosso caminho, cuidando-nos. À medida que nos vamos nutrindo emocionalmente, melhor será a nossa saúde física, não só pelos problemas físicos associados à falta de nutrição emocional, mas pela disponibilidade mental que nos permite cuidarmo-nos, mimarmo-nos, estarmos connosco e querer-nos bem. Relativamente à alimentação, acredito que possamos encontrar alimentos e pratos muito saborosos com alimentos mais saudáveis; e na questão da actividade física, também acredito que haja algo que nos divirta e que ajude a gastar calorias. Dançar? Correr? Nadar? Andar de bicicleta? Fazer caminhadas? Saltar à corda? Jogos de equipa – futebol, andebol, basquetebol, voleibol? Surf? Escalada? Remo? Artes marciais?... 

Cabe a cada um de nós encontrar e decidir qual o melhor caminho para uma boa saúde e bem-estar.

Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

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