domingo, 23 de outubro de 2016

O Bullying e o papel dos Pais na sua prevenção e combate


No passado dia 20 de Outubro, assinalou-se o  Dia Mundial de Combate ao Bullying que se constitui como um alerta internacional para esta problemática com que muitos jovens vivem e sofrem em silêncio. Segundo a UNICEF, uma em cada três crianças do mundo, entre os 13 e os 15 anos, é vítima de bullying na escola regularmente.
O bullying é uma designação utilizada para descrever atos de violência física ou psicológica intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos, dentro de uma relação desigual de poder. Este é um problema que afeta milhões de estudantes em todo o mundo e prejudica todos os envolvidos: quem é perseguido ou intimidado, quem intimida e quem presencia as situações de assédio e muitas vezes não sabe o que fazer.
O bullying pode afetar a saúde física, emocional e social das crianças vítimas de agressão e ter consequências graves, tais como depressões e, em última análise, suicídio. 
A família é uma das estruturas mais importantes na prevenção e no combate à violência praticada contra crianças e jovens, mas muitas vezes é a última a saber. O medo, a vergonha e a culpa são muitas vezes os principais motivos do silêncio da criança ou do jovem vítima de agressão, pelo que é importante a família estar atenta aos sinais de alerta tais como:
·    Perda ou deterioração frequente dos pertences escolares ou pessoais, como óculos, cadernos, mochilas;
·         Hematomas, arranhões, cortes ou roupas rasgadas sem explicação convincente;
·          Medo de ir sozinho ou não querer ir à escola;
·          Baixo rendimento escolar;
·         Querer ser acompanhado na saída ou na entrada da escola;
·         Pesadelos, alterações no sono e/ou apetite;
·         Dores corporais, de cabeça, de estômago ou vómitos;
·         Tristeza, choro ou irritabilidade;
·         Isolamento e falta de vontade de sair e de se relacionar com colegas;
·         Mudanças de humor e instabilidade comportamental;
·         Pensamento suicida.

Alguns destes sinais, isoladamente, podem não caracterizar por si só o bullying. No entanto, quantos mais sinais forem apresentados, maior é a probabilidade da criança ou jovem estarem a ser vítima de agressão.
Nestes casos, muitas vezes é necessário que sejam os prestadores de cuidados a iniciar a conversa, perguntando tranquilamente o que aconteceu para motivar aquele comportamento ou aquele sinal físico. É importante escutar com atenção e empaticamente, obter o máximo de informação possível, assegurar à criança que a culpa não é dela e elogiá-la pela coragem em falar e que juntos irão resolver o problema.  Manter um diálogo aberto, encorajar os filhos a expressarem o que sentem, a dizerem “não” quando estão desconfortáveis e a não reagirem com violência, para não gerarem ainda mais violência, são aspectos fundamentais a serem transmitidos.
Apesar desta ser uma situação que reativa emoções muito fortes nos prestadores de cuidados, o controlo das emoções é fundamental de modo a serem analisados cuidadosamente os próximos passos a seguir.
O contacto dos prestadores de cuidados com a escola é fundamental, para informar e ser informado sobre as ocorrências, para conhecer as estratégias utilizadas em prol da resolução do problema, para acordar maneiras de acompanhar a criança ou adolescente e para formar uma rede de apoio.  
É possível atuar frente a este problema formando uma aliança entre escola e família, com o objetivo de cuidar, proteger e desenvolver ferramentas para prevenir e deter o assédio entre pares. Pais, mães, prestadores de cuidados e toda a equipa da escola têm a responsabilidade de se unir para fazer das escolas lugares livres de violência e de bullying.


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