sexta-feira, 3 de junho de 2016

“Penso, logo existo!” Mas... e quando pensamos demais???

Por vezes vezes, ao precisar tomar uma decisão, ou mesmo quando já a tomámos, ponderamos os prós e os contras, procuramos olhar a situação de todas as perspectivas. Detemo-nos de tal forma a analisar TODOS os cenários (os possíveis, os improváveis, os óbvios...), que, muitas vezes, acabamos por não conseguir decidir (seja porque ficamos sobrecarregados de informação, ou simplesmente porque já não vamos a tempo de o fazer) ou parar de pensar na decisão que tomámos.
Para além disso, há o impacto que este tempo, esta pesquisa, esta preocupação, esta dança de cadeiras interior, tem na nossa vida quotidiana. Naquela que está a acontecer agora, no presente. Quantas vezes estamos a realizar uma determinada actividade e a nossa mente foge para qualquer outro lado? Frequentemente podemos estar (ou tentar estar) focados numa tarefa e parecem surgir pop-ups constantes na nossa cabeça...
E tudo isto parece agravar quando, para mais, cometemos um erro no qual não deixamos de pensar, há uma conversa em que ficámos calados quando achamos que nos devíamos ter defendido, nos detemos a pensar no que o nosso chefe vai achar do nosso desempenho, ou quando vamos encontrar o “verdadeiro amor” e como ele nos vai tratar, se vamos casar ou não, se vamos ser promovidos e o que vamos fazer com o dinheiro que poderemos vir a receber, etc , etc, etc.
É verdade que, de vez em quando, todos pensamos demais (overthinking, em inglês)... mas há momentos em que simplesmente parece impossível fazer frente a esta ruminação e preocupação constantes. A ruminação tem a ver com ficar a remoer naquilo que aconteceu ou devia/poderia/desejávamos ter acontecido, no passado. Enquanto que a preocupação está associada aos eventos futuros, percepcionados de uma forma essencialmente negativa e muitas vezes, até mesmo, catastrófica.
Esta angústia constante, não só é cansativa e desagradável, como coloca em risco a nossa saúde mental. E, quando a saúde mental está comprometida, há uma maior tendência para pensarmos demais, gerando-se assim um ciclo vicioso do qual será mais difícil sair.
Assim, hoje apresento-vos algumas estratégias que poderão ajudar a não entrar nesse ciclo, ou mesmo a quebrá-lo.
Como em muitas outras situações, o primeiro aspecto a ter em conta é a consciência do problema. Dizermos a nós mesmos que não podemos pensar acerca de determinado assunto, muito provavelmente irá fazer precisamente com que não consigamos pensar acerca de mais nada nos minutos seguintes. Ou seja, tentar fugir destes pensamentos quando eles surgem pode mesmo piorar a situação. Assim,

1. Repare quando estiver a pensar demasiado
Quando a sua mente parecer estar a passar o mesmo filme vezes sem conta (ou seja, a repetir quase interminavelmente a memória do mesmo episódio) ou a preocupar-se com coisas que não consegue controlar, tome consciência de que esses pensamentos não são produtivos.

2. Aumente a consciência acerca do pensamento negativo dando-lhe um nome
Designar o tipo de pensamento que estamos a ter (catastrofização, ruminação...) não só ajuda a aumentarmos a consciência acerca dele, como também cria uma maior actividade da zona do cérebro relacionada com a regulação emocional.

 3. Desafie os seus pensamentos
É fácil cedermos perante alguns pensamentos negativos, ao imaginarmos quão mau vai ser se tivermos determinada atitude. Mas antes de assumir que a sua relação vai terminar porque se esqueceu do aniversário do seu companheiro, ou que vai ser despedido se não for trabalhar no dia em que acordou com 40’ de febre, tome consciência de que os seus pensamentos podem estar a ser exageradamente negativos. Aprenda a reconhecer e a substituir os seus erros de pensamento antes de se deixar afogar por eles.

4. Foque-se numa Resolução Activa de Problemas
Não podemos evitar ter problemas (às vezes eles parecem, simplesmente, aparecer do nada), mas podemos procurar soluções para eles. Em vez de nos determos a perguntarmos a nós mesmos por que é que algo aconteceu, podemos antes perguntar-nos o que é que podemos fazer acerca disso, ou seja, quais os passos a seguir para aprendermos com um erro que cometemos ou para evitarmos um problema futuro.

5. Reserve tempo para reflexão
Ainda que determo-nos infinitamente nos problemas não seja saudável, não vamos conseguir (nem seria saudável) não pensar neles de todo. Assim, podemos incluir 20 minutos de reflexão na nossa agenda diária! Neste período somos livres para preocupações, ruminações e ponderações acerca daquilo que quisermos. Acabado este tempo, redireccionemos o nosso foco para algo mais produtivo. Isto pode ser particularmente útil uma vez que, se nos apercebermos de que estamos a pensar demasiado acerca de determinado assunto, podemos lembrar-nos de que iremos ter oportunidade de pensar acerca dele mais tarde, no tempo de reflexão.

6. Pratique Mindfulness

Ao comprometermo-nos com o momento presente, ou seja, ao tornarmo-nos mais conscientes do aqui e agora, estamos a reduzir a possibilidade de nos determos em arrependimentos de ontem ou em preocupações acerca do amanhã. O mindfullness requer prática, mas é um óptimo aliado a combater os pensamentos automáticos.


Ana Luísa Oliveira escreve de acordo com a antiga ortografia.

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