domingo, 26 de junho de 2016

Maturidade Emocional...do que se trata afinal?


Maturidade emocional é uma expressão com a qual nos cruzamos recorrentemente, não só na literatura, como também na conversação quotidiana. 
Expressões tais como “Ele é muito imaturo!” ou “Ela é uma pessoa bastante madura!” são de certa forma familiares, que todos nos já ouvimos e até já usámos, mas o entendimento e o significado do conceito pode não ser assim tão claro. Sabemos realmente do que se trata?
Antes de mais importa frisar que não existe uma relação direta entre maturidade emocional e idade cronológica, ou seja  podem existir pessoas idosas imaturas e jovens emocionalmente maduros. A maturidade emocional não acompanha necessariamente o envelhecimento.
Posto isto, podemos definir maturidade emocional como algo semelhante à inteligência emocional e cuja principal característica é a boa tolerância à frustração e à contrariedade.
Na estruturação da personalidade, é essencial o conflito entre o que se quer e o que se pode, assim como o quando se quer e o quando se pode. As pessoas emocionalmente imaturas, não aprenderam a gerir este conflito adequadamente nos estádios mais precoces do seu desenvolvimento. Não aprenderam a transformar este tempo de espera que medeia o sentir o desejo e a sua satisfação  num espaço de criatividade e de desenvolvimento das suas faculdades pessoais sustentado numa vivência de confiança. Deste modo, são pessoas  emocionalmente mais reativas e reivindicativas, exigindo de forma obstinada a satisfação imediata das suas necessidades. O seu funcionamento é mais auto-centrado e egocêntrico, levando em pouca linha de conta a perspectiva e o ponto de vista do outro.
Por outro lado, as pessoas emocionalmente maduras, apesar de também não gostarem da frustração, conseguem tolerar esse desconforto e libertarem-se dele sem envolverem ou prejudicarem outras pessoas. Esta tolerância à dor permite assim o desenvolvimento de outra capacidade importante - a empatia, definida como a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro e de imaginarmos a sua dor.  As pessoas emocionalmente imaturas, como têm dificuldade em tolerar a frustração e principalmente o sofrimento, terão inevitavelmente dificuldade em desenvolver esta capacidade.
A consciência e o controlo das emoções são também inerentes à maturidade emocional, existindo por parte do indivíduo o reconhecimento  de todas as suas emoções que lhe permite não ser escravizado por elas, ou seja, não viver em reatividade às suas emoções mas gerindo-as com ponderação e bom senso.  A pessoa pode sentir-se alegre, triste, aborrecida ou irritada mas em controle e em função dos acontecimentos da sua vida. As variações de humor oscilam essencialmente em função das circunstâncias, prevalecendo um humor razoavelmente estável e constante.
As pessoas maduras sabem ser humildes na medida em que têm consciência que o seu saber será sempre limitado e que o erro e a falha fazem parte da condição humana. Esta sabedoria permite-lhes entrar no jogo da vida e ousar a arriscar novos desafios, porque as eventuais dores que possam surgir dos fracassos são suportáveis. Como aceitam os erros e aprendem com eles, estão em constante evolução, o que lhes permite atingir graus cada vez mais sofisticados de auto-conhecimento e de domínio sobre si, construindo uma perspetiva otimista e de esperança em relação ao futuro. A rigidez e o medo de errar colocam o indivíduo numa posição de estagnação, o que dificulta conceber um futuro mais interessante, surgindo então o pessimismo.
Nos seus relacionamentos interpessoais, as pessoas emocionalmente maduras aceitam os diferentes com atenção e tranquilidade, sem julgamento, demonstrando competência no trato, nomeadamente respeito, delicadeza e preocupação em não ferir e suscetibilizar o outro. São capazes de comunicar de forma firme e assertiva, defendendo os seus interesses e dizendo que não, sobretudo com quem reivindica injustamente, sem adotar uma postura auto-centrada e egocêntrica.

As pessoas emocionalmente maduras são capazes de tolerar as dúvidas, o não saber, a ineficiência e as incertezas em relação ao seu futuro, assim como de se questionarem e de serem autocríticas de uma forma construtiva. Têm sentido de humor, são curiosas e sabem que a  maturidade emocional viverá sempre a braços com a capacidade criativa e de transformação: do bom em mau, das adversidades em oportunidades de aprendizagem e do inevitável/irreversível em fontes de sabedoria e de enriquecimento pessoal.

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