domingo, 24 de julho de 2016

As primeiras férias sem os pais


Para a maior parte dos adolescentes, férias de verão são sinónimo de diversão, liberdade, descoberta e amigos.
Nesta fase do desenvolvimento, a identificação e o sentimento de pertença ao grupo de pares assume um papel central na vida do adolescente, bem como a conquista progressiva pela autonomia.
Passar um período das férias, longe dos pais, com o grupo de amigos é um desejo frequente dos jovens que nem sempre é recebido de forma pacífica pelos pais. No entanto, apesar das preocupações serem legítimas, importa não esquecer que esta pode ser uma experiência fundamental no amadurecimento e no desenvolvimento da autonomia do jovem, capacitando-o com recursos para se relacionar, resolver problemas e superar adversidades.
Quando ponderam sobre a permissão face este tipo de pedidos, os pais deverão atender às provas de responsabilidade e autonomia evidenciadas pelo jovem, ao longo do tempo. As saídas à noite, poderão constituir-se como um importante ensaio para testar como o jovem utiliza a sua liberdade e como pode ser confiável, no que respeita ao cumprimento dos horários, gestão do dinheiro, comportamentos evidenciados e na honestidade para com os pais. A capacidade do jovem em dizer não de forma assertiva, independentemente da pressão do grupo, é outro aspeto essencial que convém ter em conta, já que tal se constitui como um fator protector face a situações de risco. O diálogo aberto entre pais e filhos no que respeita à sexualidade constitui-se igualmente como um fator de proteção, nomeadamente em períodos de férias sem os pais em que podem ocorrer envolvimentos sexuais, já que veicula a transmissão de informações e modos de proteção face a doenças sexualmente transmissíveis e gravidezes indesejáveis.
Toda a educação que visa tornar os filhos pessoas responsáveis, no que respeita às suas ações e ao cumprimento de deveres, compromissos e horários e como tal pessoas confiáveis e merecedoras da respetiva liberdade, constitui-se como o caminho para a autonomia. Ao longo deste mesmo caminho, a supervisão dos pais é fundamental para determinarem quando se justifica a sua intervenção e a adoção de medidas mais firmes, que podem até implicar a retirada de alguma da liberdade que já tinha sido concedida, caso esta não esteja a ser utilizada de forma adequada e responsável.
 O modo como os próprios pais vão ensaiando e exercitando com os filhos comportamentos de autonomia ao longo da vida, vão certamente determinar a preparação psicológica dos jovens para estes períodos de férias por sua conta e risco.
Os pais deverão certificar-se que conhecem os amigos com quem o filho vai, para onde ele vai,  quais os planos e em garantir a manutenção da comunicação telefónica dentro de um horário acordado para saber se está tudo bem. Convém também ficar com os contactos de outros amigos, caso a ligação com o filho não se consiga estabelecer. O diálogo relativo aos eventuais perigos que poderão existir e às estratégias protetoras que poderão ser adotadas é essencial.
As férias longe da família não só respondem a uma necessidade dos jovens descobrirem os outros, o mundo e dessa forma descobrirem-se a si próprios como também desenvolverem a capacidade para cuidarem de si, o que, numa sociedade em que a transição para a autonomia tem vindo a ser cada vez mais adiada, importa estimular. A relação entre pais e filhos também pode sair beneficiada após este período, na medida em que o jovem ganha maior consciência das suas ações e das suas consequências e os pais podem ganhar maior confiança e segurança no adolescente face a este amadurecimento.

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