domingo, 11 de setembro de 2016

A Escola pela primeira vez - superando a dor da separação



Setembro é o mês que marca para muitas crianças uma mudança importante nas suas vidas, a entrada pela primeira vez na escola, quer no 1º ano, quer no pré-escolar.
Este é um acontecimento marcante, não só para as crianças, que vão conquistando um espaço cada vez mais diferenciado dos pais, como também para estes, que ficam muitas vezes a braços com sentimentos ambivalentes de entusiasmo e apreensão.
Se por um lado a entrada para a escola é motivo de orgulho para os pais ao constatarem que o seu filho está a crescer e a iniciar uma nova etapa da sua vida, por outro lado também pode ser gerador de ansiedade.
Para muitos pais, este momento em que a criança deixa de viver quase que exclusivamente dentro da célula familiar e passa a integrar outro meio e a ficar ao cuidado de pessoas desconhecidas, não deixa de ser doloroso e ansiogénico. A entrada para a escola, que se constitui como um primeiro passo dos filhos rumo à independência, acaba por gerar, não raras vezes, a apreensão de perder o amor dos filhos ou de ter que dividi-los com outros.
Contudo, é um momento essencial no crescimento da criança, que lhe vai proporcionar o desenvolvimento não só de competências intelectuais relacionadas com a aprendizagem como também sociais.
Se a criança perceber a ansiedade e o sofrimento dos pais, poderá ter maiores dificuldades para se separar e se adaptar ao novo ambiente, podendo igualmente sentir uma maior insegurança e medo de abandono. Neste sentido, é essencial que os pais controlem a sua ansiedade e transmitam tranquilidade e segurança aos seus filhos.
Esta é uma fase de adaptação para todos, e como tal, importa que os pais preparem com antecedência o seu filho para a escola, conversando com ele sobre os aspetos positivos nomeadamente, fazer novos amigos com quem brincar, aprender coisas novas, divertir-se mas também ter maiores responsabilidades. Ir incutindo desta maneira o gosto pela escola e o prazer que se pode retirar das brincadeiras e das aprendizagens, irá concerteza promover o entusiasmo da criança em abraçar esta nova etapa da sua vida. Levar a criança a conhecer antecipadamente a escola que vai frequentar para ir criando um vínculo com o espaço e com as pessoas de lá e envolvê-la na escolha dos materiais escolares são também aspetos fundamentais.
O choro no momento da separação é comum mas não significa, necessariamente, que a criança não queira ficar na escola. A maioria das crianças, pára de chorar assim que os pais se afastam, constituindo-se o choro como uma forma de os manter por perto. Tentar confortar a criança e reforçar que a escola é um lugar seguro e agradável, e que as professoras serão amigas e carinhosas terá um efeito securizante e apaziguador. As educadoras e professoras têm nesta fase de adaptação um papel preponderante, não só na integração da criança no novo ambiente como também na articulação estabelecida com os pais no que respeita ao comportamento que a criança evidencia, nomeadamente se demonstrar uma resistência à escola muito marcada, com manifestações de insatisfação, irritação ou tristeza fora do normal.
Se a criança não quer ir para a escola, é importante conversar com ela para perceber a origem da sua resistência e desmotivação. De forma calma, e sem desvalorizar o que ela diz, importa compreender o seu mal-estar, conter as suas angústias e reforçar novamente os aspetos positivos da escola.
Para os pais que ainda não estão a trabalhar, é possível fazer uma adaptação mais gradual, onde o tempo de permanência da criança na escola vai aumentando até chegar ao tempo desejado.
É contraproducente oferecer recompensas à criança, por ter ficado na escola dado que este fato deve ser encarado como parte da sua vida e rotina. A previsibilidade é muito organizadora e tranquilizante para a criança, pelo que é conveniente explicar-lhe quem irá buscá-la e que haverá todo o interesse em saber tudo o que ela fez e aprendeu naquele dia.
Começa agora o tempo da aprendizagem que irá marcar todo o caminho futuro da criança e a abertura a um novo mundo, fora da célula familiar. A preparação e o acompanhamento que os pais podem prestar aos filhos neste período de transição é fundamental, o que implica que eles próprios também se sintam suficientemente tranquilos e seguros para que possam transmitir o entusiasmo e a segurança necessárias à criança para abraçar plenamente esta nova etapa da sua vida.

A ClaraMente deseja a todos os que entram para a escola pela primeira vez a construção de um caminho em que a aprendizagem e a alegria possam andar sempre de mãos dadas!



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