sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

FoMO?!?

« Se quiséssemos ser apenas felizes, isso seria fácil de alcançar. Mas desejamos ser mais felizes do que os outros, e isso é sempre difícil, já que achamos os outros mais felizes do que realmente são.»
(Montesquieu)

“Nem sabes o que perdeste!” (vem, geralmente, acompanhado de uma mistura de entusiasmado, vaidade, de uma quase acusação e até mesmo pena). Às vezes não sabemos mesmo,  não chegamos sequer a saber, e, provavelmente, até aí nem queríamos ter sabido. Contudo, esta é uma frase que nos dias de hoje parece ter uma elevada probabilidade de deixar quem a ouve ansioso, ou mesmo angustiado: O que é que terei perdido? O que é que não ouvi, comi, experimentei? Do que é que fiquei de fora? Onde é que não fui? Este sentir já tem até um nome: FoMO (do inglês Fear of Missing Out – medo de ficar de fora).

Três em cada quatro jovens adultos refere já ter vivenciado momentos de ansiedade mais ou menos evidente com a possibilidade de perder alguma coisa, de ficar de fora de algum acontecimento e/ou informação.

De acordo com Darlem McLaughlin, quando se está tão focado no(s) outro(s), no “melhor” (nas nossas cabeças), olhando quase (ou mesmo) exclusivamente para fora, sem nos determos muito (ou sequer) a olhar para dentro de nós mesmos, perdemos o sentido autêntico do nosso Eu. Como se este medo constante de ficarmos de fora nos mostrasse que não estamos a participar no nosso próprio mundo como pessoas reais. Esta preocupação constante acerca do que está a acontecer, daquilo que “outros” estão a fazer, afasta-nos gradualmente das nossas próprias vidas,  e de nós mesmos.

É verdade que o mundo contemporâneo garante que saibamos sempre o quanto estamos a perder. Somos permanentemente bombardeados com sugestões (indicações?!?) do que devemos fazer, comprar, desejar, de quais as viagens que “precisamos” fazer, dos empregos que devemos escolher, das bebidas que devemos apreciar... ouvimos frequentemente as pessoas que nos rodeiam falarem acerca das coisas incríveis que fizeram ou dos lugares inacreditáveis que vão visitar...

Mas será este medo de ficar de fora apenas um sinal dos tempos modernos? Uma inofensiva consequência da possibilidade de estarmos permanentemente ligados ao mundo? Ou, por outro lado, será que nos diz algo acerca de nós próprios que precisamos saber?

A investigação mostra que este medo de ficar de fora parece estar associado a baixos níveis de humor e de satisfação com a vida em geral e relativamente às necessidades de competência, autonomia e afinidade.


O que não encontramos cá dentro, que procuramos incessantemente lá fora?

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