terça-feira, 1 de maio de 2018

Perfeccionismo: um motor para a acção ou uma forma de paralisação?




O perfeccionismo pode ser definido, de uma forma geral, como a necessidade de ser ou parecer perfeito.
Nos vários domínios das artes e do saber muitas foram as personalidades que se destacaram pela busca da excelência e cujas características perfeccionistas contribuíram para a inovação que alcançaram e para o legado que deixaram.
Neste tipo de funcionamento é expectável a existência de padrões exigentes de comportamento e de realização, o que implica algum nível de stress mas também de motivação orientada para a ação e para fazer cada vez melhor.  Podemos caracterizar este perfeccionismo como útil e adaptativo que não compromete a funcionalidade e a adaptação do indivíduo.
Já um perfeccionismo excessivo, cujo grau e intensidade provocam sofrimento e disfuncionalidade, acaba por conduzir a uma atitude de paralisação e levar o indivíduo à procrastinação, dado o medo de falhar e de ser criticado pelos outros.
Nestes pessoas, o nível de exigência é tão grande no sentido de serem perfeitas, infalíveis e admiráveis, que o confronto com as suas obrigações se torna extremamente doloroso e angustiante, levando ao adiamento das mesmas.
Se por um lado, estas pessoas até reconhecem que têm competências, por outro lado, a possibilidade de errar e de não atingir o tal ideal de perfeição acaba por se sobrepor e gerar ansiedade, o que compromete a produtividade e a qualidade do trabalho.
 A comparação com os outros, que produzem mais porque não são tão exigentes e têm maior tolerância ao erro, acaba por levar igualmente à emergência de sentimentos de inferioridade e insuficiência, com  prejuízo ao nível da auto-estima.
No contexto de psicoterapia, esta é uma problemática bastante comum e que poderá estar presente em perturbações como a depressão, ansiedade ou perturbações alimentares, relacionando-se com um constante sentimento de insuficiência e de cobrança assente na lógica “eu tenho de ser, eu deveria ser, mas não consigo”.
Os eventuais erros ou falhas são hipervalorizados, contaminando toda a avaliação, nomeadamente os aspetos positivos do desempenho.
A psicoterapia nestas situações visa diminuir a culpa e a cobrança excessiva, de modo a que seja possível alcançar-se uma maior estabilidade emocional, satisfação pessoal e produtividade.

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