terça-feira, 19 de dezembro de 2017

A equipa da ClaraMente deseja-vos Festas Felizes!


A equipa da ClaraMente deseja as todos os seus pacientes, familiares, amigos, seguidores e parceiros Festas Felizes!!

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

"Cordas"...porque há cordas que não amarram mas que antes libertam



Na semana passada assinalou-se no dia 3 de Dezembro o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, que visa promover uma maior compreensão dos assuntos relativos à deficiência e a mobilização para a defesa da dignidade, dos direitos e do bem-estar destas pessoas.
Apesar do paradigma atual assentar numa lógica de inclusão, em muitos contextos continuam a verificar-se práticas de exclusão e de discriminação, sobretudo porque a deficiência não é entendida numa lógica de diversidade. O preconceito inerente ao que é diferente, acaba por constitui-se como um obstáculo ao estabelecimento da relação e ao conhecimento daquela pessoa no seu todo que é rotulada e definida pelas suas limitações. Este não é o caso de Maria, a  protagonista da curta metragem de animação “Cordas” cuja aceitação incondicional do seu novo colega de turma que sofre de paralisia cerebral não deixa ninguém indiferente.
Apesar de ver as limitações do amigo, Maria não desiste e faz de tudo para que ele se divirta e consiga brincar. Readaptando e recriando jogos e atividades, Maria celebra a vida do amigo e a força do vínculo afetivo que é estabelecido é de tal ordem transformador para ambos que irá marcar e mudar as suas vidas para sempre.

“Cordas”,  ganhou o Prémio Goya em 2014, na categoria de Melhor Curta Metragem de Animação. O filme foi inspirado nos filhos do seu criador, Pedro Solís, que tem uma filha muito ligada ao irmão com paralisia cerebral. Nos agradecimentos, o diretor Pedro Solís dedica o filme à sua filha, por ter inspirado a realização da obra; ao seu filho, que ele desejaria nunca ter inspirad o trabalho; e à esposa, Lola, por todas as vezes em que ela não chorou na sua frente. Solís deixa ainda a mensagem: há cordas que não amarram, mas antes libertam.

domingo, 3 de dezembro de 2017

A teoria da Felicidade por Einstein


Muito se tem falado nos últimos dias sobre duas mensagens escritas há quase cem anos por Albert Einstein, que  foram vendidas por mais de um milhão e meio de euros. Entre elas, uma que ficou conhecida como “a teoria da felicidade": "Uma vida calma e humilde vai trazer-lhe mais felicidade do que a busca pelo sucesso e a consequente agitação constante", escreveu para substituir uma gorjeta em 1922. No outro papel, deixou uma frase mais simples, mas igualmente profunda: “onde há um desejo, há um caminho.”

Na verdade, são várias as frases inspiradoras que Albert Einstein, físico alemão, pai da teoria da relatividade, um dos pilares da física moderna e da mecânica quântica e Prémio Nobel da Física em 1921, nos deixou. 

Acima de tudo, um pensador, humanista, crítico... sem dúvida um génio!

                 Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

domingo, 26 de novembro de 2017

Empatia e Simpatia: qual a diferença?




Os conceitos de simpatia e empatia, apesar de muito utilizados, continuam a ser objeto de confusão e nem sempre são empregues da forma mais adequada.
Podemos entender a simpatia como um sentimento de afinidade com determinada pessoa, que leva o indivíduo a estabelecer uma harmonia no encontro com ela. Simpatizamos com amigos e com as pessoas com quem partilhamos afinidades, interesses e valores e nas quais reconhecemos alguma compatibilidade e complementaridade com o nosso funcionamento.
Por seu lado, a empatia implica a capacidade de nos posicionarmos no lugar do outro para compreendermos a sua realidade interna, independentemente da pessoa em questão, de estarmos ou não de acordo com ela ou de simpatizarmos ou não com ela. A empatia genuína está ao serviço da comunhão emocional, da aceitação e do respeito pelo outro e pela sua realidade, o que implica uma atitude de não julgamento e de despojamento de preconceitos.
Demonstrar simpatia por alguém, isto é, gentiliza e amabilidade, sendo-se amistoso, agradável e educado, não implica necessariamente que também se seja empático. Muitas vezes, a simpatia pode até esconder uma empatia diminuta, nos casos em que a simpatia é utilizada para agradar e estimular no outro sentimentos positivos em relação a nós, com o intuito de se obter algum tipo de aprovação e valorização narcísica.
Quando somos empáticos, posicionamo-nos no lugar do outro para nos sentirmos em sintonia com as suas emoções e acedermos à compreensão do seu funcionamento. Este movimento empático implica olhar o outro com isenção, isto é, um olhar despojado dos próprios valores e preconceitos, reconhecendo e aceitando que há diferentes maneiras de operar.
A boa capacidade empática pode ser entendida como a capacidade de entender o outro tendo como enquadramento a realidade deste e nunca utilizando como referência a nossa experiência subjetiva. Quando colocamos os próprios sentimentos no outro, acabamos por incorrer numa confusão entre o eu e o outro. Exemplo disso, é o caso da pessoa que fica muito aflita ao percecionar o sofrimento de um animal que está com frio, ou que lhe prepara uma festa de anos como se isso tivesse significado para ele,  na medida em que já o vê na perspetiva de um humano e não enquanto um animal. Neste tipo de situações, em que a pessoa transporta para o outro a sua realidade, fica dificultada a possibilidade de conhecer e entender o outro tal como ele é, na sua alteridade e singularidade. As dificuldades de comunicação nas relações interpessoais, traduzem muitas vezes lacunas na empatia que não permitem a uma das partes colocar-se no lugar da outra, impondo ao invés a sua maneira de ser e estar na vida.

Na psicoterapia, o movimento empático é fundamental para se entrar em sintonia com o sofrimento do paciente mas importa não se tomar essas dores ou se ficar colado a elas, já que tal diminui a capacidade de ajuda. Depois de se ter captado essa informação, importa ao psicoterapeuta fazer o movimento de retorno à sua posição e a partir do seu ângulo poder devolver um sentido ao que está a ser manifestado, de uma forma mais clara, nítida e ajustada à pessoa em questão. 

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Viver com uma doença crónica

A doença crónica é definida por ser uma doença que persiste por um longo período e não se resolve num curto espaço de tempo. Há centenas de doenças crónicas conhecidas, e cada uma afecta o corpo de forma diferente. Alguns exemplos de doenças crónicas são: diabetes, doença de Alzheimer, hipertensão, asma, sida, cancro e doenças autoimunes.

As doenças crónicas podem acompanhar durante muito tempo a vida de uma pessoa ou toda a sua vida, e neste último caso não há cura, apenas tratamentos periódicos, tornando-se assim numa ameaça ao bem-estar e na qualidade de vida. Existem as que são potencialmente ameaçadoras à vida, e as que não apresentam risco mas podem ter o potencial de serem fisicamente debilitantes. Além da parte física, as doenças crónicas também apresentam efeitos emocionais e psicológicos que podem ser devastadores e até influenciarem o processo de tratamento. As doenças crónicas naturalmente provocam mudanças na vida da pessoa, para além dos condicionamentos do dia-a-dia, obrigam a tomadas de decisões e à exploração de novos caminhos desconhecidos até então.

Cada doença tem as suas especificidades, seja o número de horas que a pessoa tem de passar em serviços de saúde, as alterações na alimentação, o tempo recomendado de descanso, a possível ausência do trabalho, menos rendimento, modificações nos papéis sociais, alteração de hábitos, dependências e interdependências de outras pessoas. Nas situações em que a pessoa precisa de alguém para se deslocar ou para realizar alguma atividade do quotidiano, as dificuldades emocionais da gestão da doença tendem a piorar.

Perante esta situação, existem algumas questões fundamentais, que ajudam a uma maior aceitação da doença e a uma maior procura de alternativas que aumentam o bem-estar apesar da doença:

- Aprender o máximo que puder sobre a doença – Quanta mais informação se tiver, melhor se lida com os sintomas e tratamentos.

-Procurar um médico com o qual se identifique e procurar fazer todas as questões que tiver e tomar as decisões sobre os tratamentos com o médico, e seguir o tratamento de forma adequada.

- Juntar-se a um grupo de apoio e assim perceber que não está sozinho com a doença e que há várias pessoas na mesma situação. Pode receber informações de outras pessoas que vivem com a doença há mais tempo.

- Manter um exercício físico regular adequado à sua situação clínica, um dieta equilibrada e cuidados preventivos, além do tratamento clínico.

- Manter-se activo socialmente, permitindo a aproximação de familiares e amigos e participar em actividades que promovam o bem-estar psicológico.

- Reconhecer e aceitar que, durante o tratamento, poderão haver dias bons e maus.

- Lembrar-se sempre que as pessoas são muito mais do que a sua doença. Pode ter uma doença crónica, mas isso é uma parte da sua pessoa. Além disso também é um pai fantástico, um melhor amigo de alguém, uma mãe dedicada, um avô carinhoso, um excelente profissional, …

- Procurar apoio psicoterapêutico pode ajudar, mesmo quando se sente que tem bom suporte familiar e de amigos, a ajuda de um profissional de saúde mental pode ser necessária e também é muitas vezes aconselhável para os membros da família que lidam com a doença de um ente querido.

                     Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Mental – o Festival que leva a Saúde Mental a todos




Decorreu na semana passada, de 9 a 12 de Novembro a primeira edição do Mental – Festival de Saúde Mental, cujo propósito pretende combater o tabu e o estigma que envolve a saúde mental, trazendo-a à discussão popular através do cinema, das artes e da informação.
Esta foi uma iniciativa inédita em Portugal, inspirada pela dinâmica do festival escocês SMHAFF – Scottish Mental Health Arts and Film Fest – que tem mais de uma década e que conta com provas dadas no que respeita à importância de incrementar uma abordagem destigmatizada da saúde mental.
Este festival pretende que a saúde mental deixe de ser um tema confinado às esferas institucionais ou debatido apenas ocasionalmente ou em situações específicas e que passe a ganhar a mesma visibilidade publica e destaque que os temas relacionados com a saúde física, já que ambas as dimensões se relacionam com o ser humano e são igualmente importantes.
Este primeiro Mental contou com documentários premiados pelo IFF – Internacional Film Fest - e filmes relacionados com as temáticas escolhidas para este ano: Borderline, Prevenção, Alheimer e Alccolismo. Destacaram-se ainda as M-Talks com convidados de renome nas várias áreas cientificas e pedagógicas.
O grande mérito deste festival é levar os temas da saúde mental a todas as pessoas exactamente porque este é um tema que diz respeito a todos nós e não apenas a alguns.
 Disponibilizando informação e promovendo o esclarecimento, a compreensão e a educação do grande púbico, o festival procura incrementar a mudança de mentalidades, erradicando o estigma e o preconceito ainda muito associado à doença mental e que, em muitas famílias, se traduz na tendência para esconder ou ignorar o problemas, pelo medo da rejeição. Neste silêncio, muitos são os casos de pessoas cujos quadros clínicos se agravam e que não procuram ajuda, o que se constitui como uma barreira na recuperação e no risco de isolamento. Numa situação de crise ou de perda significativa, o risco de desenvolvimento de uma doença do foro mental é uma realidade e a existência de suporte familiar e social é fundamental, nomeadamente na procura de tratamento especializado e atempado determinante para uma recuperação efetiva. 
O Mental procura tornar as pessoas mais atentas, conscientes e informadas, visando abolir conceitos errados e transformar a relação das pessoas com a saúde mental,  nomeadamente no que respeita à identificação de sinais de alerta e diagnóstico precoce, à procura dos serviços de saúde e tratamento adequados, à sensibilização quanto à importância do suporte social e familiar, assim como da comunidade em geral na criação de condições para a reinserção destas pessoas na vida ativa, como membros produtivos, auto-confiantes e capazes de desenvolverem todo o seu potencial.



domingo, 29 de outubro de 2017

Dia da Preguiça...ou a importância de parar?



Hoje, quarta-feira, dia 1 de Novembro, muitas pessoas aproveitam o feriado para descansar. E a meio da semana, uma pausa no ritmo acelerado em que muitos de nós vivemos, pode ser realmente rivigorante e gerador de bem-estar.
Vivemos numa era em que muitas pessoas se queixam constantemente de não terem tempo para nada, descurando a necessidade de parar, pelo menos algumas vezes por dia, em prol da própria sanidade mental.
Impera a pressão constante por desempenhos excelentes e maximização de resultados e o fazer nada passou a ser visto negativamente, induzindo sentimentos de culpa.  
Muitas pessoas entram neste ritmo acelerado e numa urgência constante em responder às expectativas pessoais e sociais criadas, gerando-se as condições propícias para o desenvolvimento de quadros de stress e em última instância de burnout.
Quem se aproxima desse ponto deixa de se sentir produtivo  e podem emergir sensações desagradáveis tais como a ansiedade, a raiva, o tédio, o desejo de procrastinar e até sintomas físicos como dores de cabeça, dores de estômago ou insónias.
 Para  este desgaste extremo podem contribuir diferentes fatores tais como o perfeccionismo, o elevado nível de ambição e de criticismo, a auto-exigência e a pressão por parte do exterior. Neste contexto actual, parece não haver muito espaço para desligar, desconectar e parar, até mesmo nos supostos momentos de pausa, a propensão para continuar ligado, a consumir informação, através dos smartphones parece levar a melhor.
No entanto, há muito que as neurociências já evidenciaram a importância dos “tempos de nada”, indutores da sensação de bem estar e da criatividade.  O importante é acalmar a mente, parar de analisar e afastar totalmente os pensamentos indutores de stress, na medida em que esta paragem conduz à reorganização mental, que é a base para novos insights e novas soluções, isto é para a criatividade. Ou seja, ao ativar no cérebro um estado mais passivo e relaxado, são neutralizados os efeitos negativos das hormonas do stress e produzidos neurotransmissores como endorfinas e dopaminas  que acentuam a sensação geral de bem-estar.
Há várias alternativas para ativar um estado  de relaxamento, tais como um exercício de relaxamento, dar um passeio a pé ou fazer uma corrida, ouvir música calma, fazer uma sesta ou tomar um banho quente. Este estado permite assim romper com os padrões de raciocínio anteriores e com as emoções negativas associadas, promovendo o acesso a uma posição neurológica mais favorável a um raciocínio mais claro, criativo e produtivo. Quantos momentos “eureka!”já tivemos no duche ou enquanto conduzíamos ao ouvir música?
Tempos de nada são portanto essenciais para aumentar a criatividade e a capacidade para resolver problemas e tomar decisões, incrementando a qualidade do trabalho e a auto-confiança. Para além disso, são nos tempos de nada que temos oportunidade para nos desligarmos do exterior e do modo automático em que vivemos grande parte do tempo, para nos conectarmos connosco, ou seja com os nossos sentimentos, desejos e aspirações e não nos perdermos de nós próprios na correria do dia a dia. É neste parar que a mente e o corpo reencontram a tranquilidade e o relaxamento que necessitam para a manutenção da saúde física e mental. Como tal, é essencial incorporar estes tempos de nada no nosso quotidiano, o que requer organização, estabelecimento de prioridades e acima de tudo permissão por parte do próprio. Importa ter presente que os tempos de nada em nada se relacionam com negligência, displicência, ou aversão ao trabalho mas sim com uma necessidade imperiosa de parar a que todos temos direito em prol da nossa saúde, bem estar, criatividade e produtividade.