segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

"Cordas"...porque há cordas que não amarram mas que antes libertam



Na semana passada assinalou-se no dia 3 de Dezembro o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, que visa promover uma maior compreensão dos assuntos relativos à deficiência e a mobilização para a defesa da dignidade, dos direitos e do bem-estar destas pessoas.
Apesar do paradigma atual assentar numa lógica de inclusão, em muitos contextos continuam a verificar-se práticas de exclusão e de discriminação, sobretudo porque a deficiência não é entendida numa lógica de diversidade. O preconceito inerente ao que é diferente, acaba por constitui-se como um obstáculo ao estabelecimento da relação e ao conhecimento daquela pessoa no seu todo que é rotulada e definida pelas suas limitações. Este não é o caso de Maria, a  protagonista da curta metragem de animação “Cordas” cuja aceitação incondicional do seu novo colega de turma que sofre de paralisia cerebral não deixa ninguém indiferente.
Apesar de ver as limitações do amigo, Maria não desiste e faz de tudo para que ele se divirta e consiga brincar. Readaptando e recriando jogos e atividades, Maria celebra a vida do amigo e a força do vínculo afetivo que é estabelecido é de tal ordem transformador para ambos que irá marcar e mudar as suas vidas para sempre.

“Cordas”,  ganhou o Prémio Goya em 2014, na categoria de Melhor Curta Metragem de Animação. O filme foi inspirado nos filhos do seu criador, Pedro Solís, que tem uma filha muito ligada ao irmão com paralisia cerebral. Nos agradecimentos, o diretor Pedro Solís dedica o filme à sua filha, por ter inspirado a realização da obra; ao seu filho, que ele desejaria nunca ter inspirado o trabalho; e à esposa, Lola, por todas as vezes em que ela não chorou na sua frente. Solís deixa ainda a mensagem: há cordas que não amarram, mas antes libertam.

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