terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Viver Bem no Novo Ano


Nesta primeira semana do novo ano, em que muitos procuram descobrir novas formas de aumentar a sua qualidade de vida e bem estar, seria interessante, antes de mais, compreender o que significa afinal viver bem.
Vivemos numa era em que somos inundados, através das redes sociais, por publicações que projetam imagens de felicidade associadas a festas, viagens, aos melhores amigos, aos melhores namorados. A exposição a estas mensagens poderá, de certa maneira, gerar a crença  que viver bem é experienciar esta constante diversão e que, por conseguinte, a vida rotineira do quotidiano seria maçadora e desinteressante.
Esta ilusão que é vendida é suscetível de produzir, por um lado, uma sensação de admiração e de desejo em frequentar os mesmos lugares, fazer as mesmas viagens, conhecer aquelas pessoas, ou fazer aquelas atividades e por outro lado, gerar uma sensação de frustração e de fracasso por não se conseguir ter uma vida assim.
Na realidade, para vivermos bem, é importante a existência de uma rotina e a aceitação de que essa rotina tem inevitavelmente um caráter de repetição que pode ser organizador e gratificante desde que esteja em sintonia com as nossas características pessoais e aspirações.
Os períodos de pausa e de férias são importantes para relaxar, descansar e para uma libertação temporária das responsabilidades, horários e obrigações laborais. No entanto, se este tempo para não fazer nada ou de festa passasse a ser a rotina do quotidiano, acabaria igualmente por se tornar monótono e conduzir a uma sensação de enfraquecimento e de empobrecimento do eu.
A robustez da auto-estima é, sem dúvida, um  fator determinante para se viver bem e relaciona-se com o orgulho que temos em relação aos nossos valores e à forma como os refletimos na nossa conduta e na relação com os outros. Viver bem associa-se à existência desta congruência interna, sendo igualmente importante uma rotina na qual nos ocupamos com coisas que gostamos e das quais temos um retorno gratificante e compensador.
Quando estamos ocupados e envolvidos a fazer algo que nos interessa e entusiasma, ficamos totalmente conectados no momento presente e o tempo flui de forma rápida. Estas sensações agradáveis podem advir de trocas relacionais significativas, de atividades de lazer ou intelectuais (leitura, cinema, arte, música) e de atividade físicas como o desporto ou a dança, que aumentam a  produção de endorfinas, hormona responsável pela sensação de bem-estar.
Podemos concluir que viver bem se relaciona sobretudo com a construção de uma rotina congruente e harmoniosa com a nossa natureza humana, que transparece a nossa autenticidade e não com a superficialidade associada à imitação de um estilo de vida projetado e alheio.


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