quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Quando o chão nos falta... e o lugar da Esperança

Há momentos em que de forma mais, ou menos, esperada, damos por nós sem chão. Olhamos, procuramos à volta... e não vemos.
Não estamos sequer suspensos, estamos... ali. Sem chão. Sem nada que nos sustente. Como se permanecessemos naquela fracção de segundos antes de começarmos a cair... em queda livre.
Mas também não estamos a cair... Estamos ali, angustiados. E, ainda que possamos ter uma restiazinha de esperança... estamos apavorados pela certeza de que vamos cair... E magoar-nos! Pior, não sabemos como é que vamos cair... quando é que vamos (finalmente?) cair, ou quanto nos vamos magoar. Ou ainda, em última instância, se vamos sequer sobreviver à queda. Não sabemos como é que se vive sem chão. Achamos muitas vezes que talvez nem seja possível fazê-lo.
E, no entanto, fazêmo-lo. Aprendemos pela experiência... Como um bebé que é atirado à água ainda antes de ter aprendido a nadar, e instintivamente se move de forma a manter-se à tona, vamos, avançamos, deixamo-nos cair, ou reagimos antes da queda. Mas vivemos.
Por vezes, chegamos lá a baixo, ao fundo... e é muitas vezes aí que temos a oportunidade de recomeçar. De pés assentes, subir de novo.
Mas, tantas vezes, uma nova angústia, um outro momento de desespero, de solidão, diz-nos que não somos capazes, que não vamos conseguir, sem esperança.
Esta é uma “emoção”, um conceito, cuja reputação deixa, frequentemente, algo a desejar. Por vezes podemos achar que é uma característica associada a quem ingenuamente vive feliz na ignorância. No entanto, esta característica, ou mesmo competência, é essencial.
Não é ela, por si só, que nos vai “salvar”, ou cumprir os nossos objectivos. Mas ajuda.

Quem tem esperança, tem também o desejo e a determinação de que os seus objectivos vão ser alcançados, e tem ainda uma série de estratégias (e a capacidade para as procurar e encontrar) para atingir esses objectivos ao seu dispor. A esperança permite-nos olhar os obstáculos com a perspectiva confiante de quem vai conseguir ultrapassá-los e, por isso, estamos mais dispostos a olhar à volta, a procurar formas, caminhos, ferramentas, para o conseguirmos. Ou seja, a esperança não corresponde apenas à vontade ou desejo de se chegar a determinado lugar, mas também às diferentes formas para lá chegar.

Ana Luísa Oliveira escreve de acordo com a antiga ortografia.

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