- Marcar o regresso a casa um ou dois dias antes da data em que começa a trabalhar para ter tempo para arrumar tudo e preparar-se para retomar a rotina.
- No regresso à rotina doméstica, dividir as tarefas pelos dias da semana e dar prioridade ao que é realmente urgente, sendo de evitar fazer tudo ao mesmo tempo e cair na exaustão.
- Tentar deitar-se mais cedo nos dias anteriores ao regresso ao trabalho e dormir 7 a 8 horas, para que a transição para a obrigação no cumprimento de horários seja mais gradual e menos stressante.
- Transformar o fim das férias num momento de alegria, marcando jantares com amigos, partilhando as experiências de férias, as fotografias e recordando os momentos agradáveis.
- Tentar chegar mais cedo no seu primeiro dia de regresso ao trabalho para ficar com mais tempo para conseguir planear o seu dia e ajustar-se à rotina. Tentar conversar com os colegas que vão chegando para se atualizar e saber o que aconteceu durante o período que esteve fora.
- Fazer uma triagem do trabalho acumulado e estabelecer prioridades. Querer resolver todos os assuntos pendentes, o mais rapidamente possível é facilitar a instalação do stress
- Terminar os primeiros dias do regresso ao trabalho com caminhadas regulares ou com um convívio entre amigos para alivio do stress associado à mudança de rotina.
- Procurar incluir na sua agenda semanal algo que lhe dê prazer e seja para si um gerador de emoções positivas ( ginásio, dança, natação, pintura, etc.)
Serviços de Psicologia Clínica e Psicoterapia (Consultórios em Lisboa e Caldas da Rainha)
segunda-feira, 13 de setembro de 2021
Stress Pós Férias? Como evitá-lo no regresso ao trabalho
terça-feira, 13 de julho de 2021
A arte do Equilíbrio
Tantas vezes
ouvimos falar, comentar ou aconselhar que temos que equilibrar a vida familiar
com a profissional, que temos que equilibrar a situação financeira, que temos
que equilibrar o tempo disponível entre responsabilidades e lazer...
Equilibrar, equilibrar, equilibrar.
A arte de
equilibrar faz-me lembrar um malabarista com imensas bolas. É preciso conhecer
a arte. Apesar de todos sabermos a importância do equilíbrio entre as várias
áreas da nossa vida, muitos de nós em determinados momentos nos
deparamos num desequilíbrio. E hoje aqui, debruço-me mais sobre o momento em
que olhamos para a situação de forma lúcida e vemos as nossas opções (áreas) a
serem “malabarizadas”, e quando sabemos que ultrapassámos o tal limite do
equilíbrio. Olhamos para a situação e sentimos que já não vamos aguentar muito
mais tempo neste equilíbrio forçado. A preocupação aumenta, os pensamentos de
que tudo vai cair em breve surgem, o prazer das tarefas em si diminuiu ou
desaparece e o esforço é cada vez maior e intenso. E coloca-se aqui a questão:
“Como deixar cair apenas 1 ou 2 bolas, enquanto continuo a equilibrar o resto?”
E quantas vezes surge a vontade de deixar cair tudo, largar tudo? Por norma,
quando nos encontramos num grande nível de cansaço e exaustão esse pensamento é
comum.
Quem não é um
malabarista nesta vida?
O que quero
trazer para reflexão, é a importância de nos irmos apercebendo que estamos a
introduzir algo a mais para equilibrar, e que isso pode colocar em causa o que
já tínhamos antes. É essencial percebermos e aceitarmos que não existem Super Heróis
e que efetivamente ao introduzir algo novo, teremos que abdicar de alguma outra
coisa, ou pelo menos abdicar do tempo que tínhamos para todas as outras coisas.
Por vezes surge
a ideia que largar algo é estar a falhar. Mas como se criou essa ideia de que
temos que conseguir dar resposta a tudo? Mesmo que isso signifique ultrapassar
o nosso limite? Onde está o nosso limite?
O
autoconhecimento é essencial para conseguirmos identificar as nossas
necessidades, as nossas prioridades e os nossos limites. Todos nós temos
necessidades, e todos nós temos limites, mas ter consciência deles, aceitar
para adotar os comportamentos e tomar as decisões que nos fazem bem é decidir
de forma ativa, focando-nos no que está ao nosso alcance, como nos queremos
cuidar.
domingo, 27 de junho de 2021
O impacto do cancro nos profissionais de Saúde
Tomando as significações que o cancro tem na nossa sociedade como profundamente relacionadas ao sofrimento, dor e morte, é importante refletir sobre o sofrimento psicológico que os cuidados aos pacientes de cancro pode criar nos profissionais de saúde. O contacto com uma doença como o cancro coloca os profissionais de saúde perante muitos fatores de stresse psicológico: comunicação de más notícias, adaptação à inexistência de cura médica, exposição repetida à morte de pessoas com os quais estabeleceram uma relação, envolvimento em conflito emocionais, absorção de cólera e de mágoa expressa pelos pacientes e pelos familiares e desafios ao sistema de crenças pessoais (Twycross, 1999).
Diversos estudos demonstram que os sentimentos despertados nos médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais que atuam em Oncologia, são semelhantes aos dos pacientes e familiares afetados pelo cancro, tais como a negação, a raiva, a culpa, o pensamento mágico e sintomas depressivos. Sentem também a impotência imposta pelos limites dos recursos pessoais e científicos. Quando e se o sofrimento não é levado com a devida consideração e os profissionais não são estimulados a explorar formas de elaborá-lo, pode levar a maiores níveis de ansiedade, depressão, criar um impacto negativo na rentabilidade do profissional como também poder afetar a qualidade do próprio cuidado ao paciente (Silva, 2010).
Algo é factual: é inevitável um certo grau de stresse no trabalho em Oncologia. A questão coloca-se sobretudo de qual o nível de stresse que pode ser evitado? Qual pode ser reduzido? Controlado ou Eliminado? O stresse constitui um aspeto intrínseco e inevitável da vida laboral, mas será a forma e a maneira de perceber e confrontar o stresse que vai marcar a diferença no funcionamento, adaptação e qualidade de vida dos profissionais de saúde.
Perante uma situação de stresse, a pessoa mobiliza estratégias para reestabelecer o equilíbrio do organismo e este equilíbrio depende das estratégias de confronto utilizadas para lidar com as situações stressantes. As Estratégias de Confronto referem-se a padrões de comportamento, cognições e perceções utilizadas para manter o equilíbrio do organismo mediante as exigências internas e/ou externas (Lazarus & Folkman, 1984). É importante referir que as estratégias de confronto utilizadas pelos cuidadores para lidar com situações de stresse, associadas ao ato de cuidar, cumprem um papel determinante nos níveis de saúde física e mental dos mesmos, e que certos processos de confronto promovem a saúde e previnem a doença, enquanto outros contribuem para a geração de processos de doença ou para o seu agravamento (Reis, 1998; Sequeira, 2013; Zarit & Edwards, 2008). Por esta razão existem programas de intervenção psicológica desenvolvidos para a gestão de stresse em contexto profissional. Os programas existentes demostram vantagens para os trabalhadores como para os responsáveis das organizações, e também para a sociedade em geral: redução dos custos dos seguros sanitários, diminuição do absentismo laboral, diminuição dos acidentes laborais, custos de tratamento mais reduzidos, aumento de produtividade, aumento do bem-estar, aumento da satisfação, aumento da qualidade de vida dos profissionais.Os objetivos gerais da atenção psicológica aos profissionais de
saúde da Unidade de Oncologia são essencialmente para permitir que os profissionais consigam gerir o stresse, prevenir o desgaste pessoal, aumentar e desenvolver os recursos internos mais funcionais e adaptativos para lidar com as situações de stresse e desenvolver hábitos e rotina de autocuidado que permita uma boa qualidade de vida tanto pessoal como laboral.
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domingo, 16 de maio de 2021
Homofobia Familiar: quando o preconceito começa dentro de casa
Foi a 17 de maio de 1990, faz hoje
precisamente 31 anos, que a Organização Mundial de Saúde (OMS), retirou a homossexualidade da Classificação
Internacional de Doenças (CID).
Esta decisão foi um passo
importante para a compreensão da homossexualidade como identidade sexual, e não
como uma doença ou desvio da normalidade, passível de tratamento e cura.
No entanto, uma lei escrita, não muda preconceitos, comportamentos agressivos e tabus, pelo que importa continuar a combate-los, assinalando-se anualmente a 17 maio
O Dia Internacional de Luta contra
a Homofobia e a Transfobia que visa a consciencialização
civil para a discriminação das pessoas homossexuais, transexuais e transgéneros.
Esta é uma descriminação que começa
desde logo e muito frequentemente, dentro de casa, no seio das próprias
famílias e cujo sofrimento que desencadeia acaba por levar à procura de ajuda
psicológica especializada. Apesar de todo o processo na mudança de mentalidades
que tem ocorrido ao longo dos tempos, o preconceito continua a existir dentro
da própria família, onde supostamente deveria ser o lugar do amor, acolhimento,
aceitação e compreensão.
Para muito pais ainda é difícil abrir mão das
suas expetativas e da opinião dos outros, encarando a homossexualidade dos
filhos como uma falha pessoal, narcísica, que induz culpabilidade, vergonha e
fracasso. Esta rejeição poderá traduzir-se por parte dos pais em manifestações
de chantagem emocional, humilhação, frieza afetiva, distanciamento emocional e
rutura relacional, dando lugar a um marcado sofrimento psicológico,
nomeadamente ansiedade e depressão, e a danos significativos na auto-estima.
Muitas pessoas sentem-se aprisionadas e
sufocadas num conflito interno que oscila entre afirmar e viver em pleno a sua essência e
não querer dececionar e perder o amor dos pais, reprimindo a sua própria
identidade numa fachada. Muitos homossexuais afastam-se dos seus familiares ao
conquistarem a sua independência financeira e também muitos outros permanecem
ligados à sua família por uma ilusão de proteção de vínculos de amor
"naturais", mas que exige uma anulação do próprio.
Se uma das maiores preocupações de
pais e mães de homossexuais diz respeito à violência a que o filho poderá estar
sujeito no quotidiano, em vez de se limitarem a tolerar os seus filhos ou a exercer sobre eles discriminação e violência (tudo aquilo que vai contra ao
exercício da parentalidade) deveriam antes acolhê-los, amá-los e ajudá-los a lidar com o
preconceito que eventualmente poderão encontrar.
A família é o primeiro sistema de
apoio que promove a estruturação da identidade do individuo, de forma mais
fragilizada ou fortalecida, e da qual dependerá a sua auto-aceitação, segurança
pessoal e resiliência perante as adversidades.
Importa, pois, trazer para o debate
público o problema da homofobia ainda sofrida no seio de tantas famílias e
escondida pela esfera privada, uma vez que reforça os danos causados pela
discriminação e violência nos espaços sociais.
A família, deveria, pois, constituir-se
como um importante alvo de ação das políticas públicas que visam a defesa dos
direitos humanos e civis, bem como o combate a todo tipo de violência e
discriminação.
terça-feira, 20 de abril de 2021
Mente sempre Ativa, Corpo sempre tenso
Felizmente cada
vez se fala mais sobre o ser humano como um todo e sobre a importância da saúde
mental. A saúde mental é a base do bem-estar geral. É este o sentido da
expressão “mente sã em corpo são” ou, noutra formulação, que “não há saúde sem
saúde mental”.
“Para todas as
pessoas, a saúde mental, a saúde física e a social são fios da vida
estreitamente entrelaçados e profundamente interdependentes. À medida que
cresce a compreensão desse relacionamento, torna-se cada vez mais evidente que
a saúde mental é indispensável para o bem-estar geral dos indivíduos, das
sociedades”. (OMS, 2002)
Contudo, ao mesmo tempo, um recente estudo de Thomas Curran e Andrew Hill, publicado no Psychological Bulletin, concluiu que o perfecionismo está em ascensão. Os autores, ambos psicólogos, concluem que "as recentes gerações consideram os outros mais exigentes, são mais exigentes com os outros e são mais exigentes consigo mesmos". Na cultura atual em que se venera a competição, desencoraja-se a cooperação e potencializa-se a individualidade, promove-se a ambição e atribui-se valor pessoal à realização profissional. Não surpreendentemente, as sociedades orientadas por esses valores tornam as pessoas mais críticas e mais ansiosas face à possibilidade de serem julgadas.
Sendo assim,
será que andamos a correr para o sentido oposto do que sabemos que é o saudável...?
Os níveis de burnout, depressões e ansiedade na nossa sociedade demonstram que
sim. Apesar de sabermos da importância de momentos de lazer, dos momentos de
desligar, cuidarmos de nós de forma consciente e estarmos em contacto com as
nossas emoções, as exigências profissionais e sociais parece que tendem em levar
vantagem... O que falta para colocarmos a nossa saúde e bem-estar em primeiro
plano? Quanto melhor nos sentirmos connosco, quanto maior o nosso bem-estar,
maior será a nossa produtividade no trabalho e melhor serão as nossas relações
com os outros (família, amigos e colegas). O que nos leva ainda a pensar que a
saúde mental não é assim tão importante? Ou que a falta desta só acontece aos
outros? Ou que não é necessário fazer nada para a ter/manter...?
Existem inúmeros
problemas físicos e consequentemente doenças, que vão sendo desenvolvidas tais
como as tensões musculares acumuladas durante muito tempo. Por exemplo, duas
situações muito comuns: dor de costas / dor de cabeça e problemas gástricos.
Muitas pessoas nestas situações procuram solução farmacológica e procuram forma
de deixar de sentir dor e incómodo. Totalmente de acordo, procurar formas de
aliviar o mal-estar é essencial... mas e se em parte formos nós a criar esse
mal-estar? E se forem as nossas estratégias de lidar com o stress que não estão
a ajudar? E se for a nossa mente que ao estar sempre ativa para fazer mais e
melhor, preocupada e em alerta, não permitir o corpo relaxar? A ligação é
direta, Mente em alerta – Corpo em tensão. Então porque não olharmos para a
nossa mente e procuramos compreender melhor o que está a acontecer? Porque não
gastar (investir) algum tempo a olhar para dentro, e permitirmo-nos a compreender
o que realmente sentimos? Porque não procurar formas e estratégias saudáveis e mais
funcionais para apaziguar essa mente? Essencial para o nosso equilíbrio e
estabilidade!
domingo, 21 de março de 2021
A Música como Via para as Emoções
“A arte da música é a que mais se aproxima das lágrimas e das recordações.” Oscar Wilde
Esta frase de Oscar Wilde é bem representativa do poder da música na evocação de emoções e memórias, impactando e modulando o nosso estado emocional.
Ao nos permitirmos entregar a nossa atenção plena à melodia, harmonia, ritmo e letra da canção, estamos a potenciar a nossa capacidade para contactar, identificar, nomear e comunicar as nossas emoções. Estas são competências essenciais para o desenvolvimento da autoconsciência emocional, sem a qual não é possível a gestão adequada das nossas emoções e a adoção de respostas mais adaptativas.
Para compreender o impacto
emocional da música, foi realizada uma investigação liderada por Alan Cowen,
neurocientista da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA), a partir da
qual uma amostra de 2500 pessoas provenientes dos EUA e da China foi exposta a
ouvir diferentes géneros musicais, incluindo rock, folk, jazz, clássico,
experimental e heavy metal. Foi demonstrado que, independentemente do sexo
da pessoa e de sua cultura, 13 emoções principais foram universalmente
acionadas: diversão, irritação, ansiedade, erotismo, serenidade, sonho,
energia, desejo, desafio, alegria, tristeza, medo e triunfo. Por exemplo, a
música The Shape of You, de Ed Shereen, despertou alegria na maioria das
pessoas, e The Star Spangled Banner, o hino dos Estados Unidos, semeou um
sentimento de triunfo ou orgulho, As Quatro Estações, de Vivaldi, teve um
efeito energizante nos participantes e, grosso modo, as composições de heavy
metal foram tidas como “desafiadoras”.
Podemos então entender que a
música comporta uma tonalidade emocional dominante, que poderá ser identificada
por uma larga maioria das pessoas, mas também poderá conduzir a reações
emocionais diferentes e particulares que são condicionadas pela individualidade
de cada um. Por exemplo, a música poderá ter uma tonalidade emocional dominante
de alegria, que determinada pessoa identifica, mas provocar-lhe irritação. A
reação emocional, assim como qualquer experiência, poderá variar em função do
significado atribuído, personalidade, memórias e cultura.
O mapeamento das emoções
produzidas pelos diferentes géneros musicais gerou uma ferramenta de software
que permite que a pessoa escolha não a música, mas a emoção que deseja sentir
através da música. Esta pesquisa poderá
ter aplicações em terapias psicológicas e psiquiátricas projetadas para evocar
determinadas emoções ou gerar ferramentas para melhorar o humor. Pela via da musicoterapia,
é possível aliviar a tensão e minimizar sintomas de diversos problemas como o
stress. Sabe-se que a música clássica, por exemplo, é amplamente recomendada para
estudantes, pois estimula a aprendizagem e a memória.
As nossas escolhas musicais modulam e alteram as nossas emoções, uma vez que certas zonas do cérebro são ativadas de forma diferente perante construções musicais diferentes e mesmo as respostas fisiológicas podem variar de arrepios, lágrimas, aumento do batimento cardíaco e da atividade psicomotora.
Uma das estruturas cerebrais atividadas pelas perceções musicais é o sistema límbico, que é responsável pelas respostas emocionais, comportamentais e pela memória (afetiva), bem como pela libertação de neurotransmissores, como a dopamina, responsável pela sensação de prazer e bem-estar. Perturbações na regulação do sistema límbico podem gerar perturbações como a depressão e a ansiedade.
A música desperta memórias
autobiográficas, um fenómeno denominado por choque de remeniscência e que
mostra a influência da música na infância e adolescência. Muitas vezes, basta ouvirmos
alguns acordes de uma música associada a esse período da nossa vida, que imediatamente iniciamos uma viagem no
tempo e trazemos ao presente memórias dessa altura, esquecendo por momentos as
preocupações no dia a dia.
Sendo a música um importante
recurso para modular e alterar as emoções, promover a memória e a aprendizagem,
ativar as áreas motora e límbica, que participa na produção de sensações de
prazer e bem-estar, não deixe de aproveitar ao máximo os seus benefícios em
prol do seu bem-estar psicológico, nomeadamente neste período mais conturbado
de crise pandémica.
Nesse sentido, deixamos as
seguintes propostas que poderá desde já colocar em prática para promover o
contacto com as suas emoções através da música:
1)
Através do link www.ocf.berkley.edu/~acowen/music.html#modal
aceda ao software criado por Alan Cowen e seus colaboradores e identifique as suas
emoções ao ouvir os trechos musicais. Experimente o software com outras
pessoas.
2)
Identifique uma música significativa na sua vida,
as emoções que ela lhe evoca e as memórias associadas.
domingo, 14 de fevereiro de 2021
De que forma a tolerância ou a falta desta afeta a nossa saúde mental?
À primeira vista podia-se pensar de forma automática que a existência ou falta de tolerância estaria pouco relacionada com a saúde mental, podendo-se achar que uma pessoa pode estar bem psicologicamente, sentindo-se bem consigo e com os outros não sendo tolerante... mas como será possível estarmos bem com os outros sem a capacidade de toleramos as diferenças? Tendo em conta que a tolerância se define como “A tolerância, do latim tolerantĭa (constância em sofrer), é um termo que define o grau de aceitação diante de um elemento contrário a uma regra moral, cultural, civil ou física. Do ponto de vista da sociedade, a tolerância é a capacidade de uma pessoa ou grupo social de aceitar outra pessoa ou grupo social, que tem uma atitude diferente das que são as normais no seu próprio grupo. Assim, a partir da tolerância, é garantida a aceitação de diferenças sociais e a liberdade de expressão. Tolerar algo ou alguém é permitir que algo prossiga, mesmo que a pessoa não concorde com tal valor, pois é dado o respeito de discordar. Ser tolerante implica aceitar que todos temos a liberdade de escolha das nossas convicções e escolhas, e que todos temos o direito exatamente igual de desfrutar da mesma liberdade”.
Assim, tendo em conta que termos saúde mental
também significa termos a capacidade de adaptação e conseguirmos criar relações
com pessoas, é essencial olharmos para a nossa capacidade de tolerância como um
aspeto essencial a ser refletido.
Nos últimos tempos, parece-me que temos
assistido a um aumento da intolerância social. Violência e atos de intimidação
contra pessoas que exercem a sua liberdade de opinião e de expressão. Parece-me
que se tem confundido dar opinião com ditar opinião de forma fundamentalista,
anulando-se todos os pontos de vista diferentes. E parece-me que isso tem vindo
a ganhar espaço sobretudo nas redes sociais, um pouco sobre todos os temas. De
repente, temos doutorados e especialistas em todas as matérias, opinando como
se cada um, individualmente tivesse a verdade absoluta.
Isso é assustador. Estamos cada um a
crescer e a viver na sua própria bolha? Até que ponto a pandemia, ao exigir um
maior distanciamento social, em que as pessoas se fecharam mais nas suas casas,
também se fecharam mais nas suas redes sociais, na sua bolha, na sua realidade
e as suas opiniões se tornaram mais e mais fundamentalistas?
É fundamental para uma sociedade harmoniosa, haver
a capacidade de reflexão e a capacidade crítica, e isso acontece quando todos
podemos partilhar as nossas opiniões e crescermos com essas partilhas, podendo
assim evoluirmos como sociedade e como pessoas.
Uma boa saúde mental individual está relacionada
com a vivência numa sociedade mais harmoniosa, onde se respeita o espaço do
outro, e onde se aceita a diferença de ideias, de valores, de religião, de
cultura, de visão política e de orientação sexual.
Uma pessoa tolerante tem uma maior
flexibilidade mental, tem uma maior capacidade de se adaptar e isso permite com
que a pessoa possa lidar melhor com situações inesperadas, de stress e de
frustração, vivendo de forma mais tranquila e satisfatória.
Os meios de comunicação têm um papel
fundamental e não podemos negar o peso do sensacionalismo, que tem tido um
crescimento exponencial. Para além disso a educação formal e informal são os
meios primordiais para promover a tolerância.
Proponho uma reflexão sobre este tema... Sou
tolerante? Quais são as consequências da minha tolerância ou falta dela, em
mim, nos outros e nas minhas relações ? Como me poderei tornar mais tolerante e
como isso me faria sentir?





