domingo, 4 de março de 2018

Como eu me vejo e como sou visto pelos outros



A imagem que projetamos de nós para o exterior nem sempre coincide com a nossa realidade interna, apesar dessa discrepância nem sempre ser clara e consciente.
Muitas vezes acreditamos que transmitimos exatamente aquilo que somos e sentimos ou aquilo que é desejado e esperado pelo nosso interlocutor mas efetivamente a percepção que é formada por este pode não estar em consonância com a nossa realidade.
Este desalinhamento reside, antes de mais, no simples facto de que somos pessoas diferentes e como tal descodificamos a realidade de maneira única e singular.
 A leitura e a descodificação de cada um é sustentada nas suas histórias de vida, crenças, valores, atitudes e expetativas, mas também nas suas dificuldades emocionais e mecanismos de defesa, o que pode condicionar a sua perceção e afetividade por determinada pessoa. Exemplo disso, pode ser o caso de uma pessoa que alimenta certos preconceitos relativos à raça, nacionalidade, aparência física e constrói uma imagem desfavorável sobre determinada pessoa ou ainda de alguém que não aceita os seus aspetos dependentes e se irrita facilmente com pessoas que manifestam esse tipo características.
Por outro lado, podem igualmente existir dificuldades por parte do próprio em se comunicar de uma forma clara e autêntica, não só no discurso que produz mas também na linguagem não verbal que adota, nomeadamente, postura, tom de voz e gestos, induzindo equívocos na imagem que transmite. Uma pessoa com um temperamento mais tímido, reservado e retraído, muitas vezes é percecionada como arrogante e prepotente, com a mania da superioridade, o que não poderia estar mais longe da sua realidade interna.
No pólo oposto, pessoas com características mais exibicionistas e com necessidade de ostentar aspetos que não possuem na procura da admiração e valorização do outro, também transmitem uma imagem que não corresponde à sua realidade, o que acaba também por trazer equívocos e prejuízos para a relação.
Diferente ainda é o caso de pessoas demasiado auto-críticas e com lacunas na sua confiança pessoal, que se percecionam de uma maneira mais desfavorável que as pessoas que lhes são mais próximas. Também aqui a auto-imagem e a visão do outro são significativamente diferentes, nomeadamente quando este último consegue identificar qualidades no primeiro que o próprio tem dificuldades em reconhecer.  
O conhecimento e a aceitação de todos os aspetos da nossa personalidade, das suas potencialidades mas também das suas fragilidades e limitações, é o primeiro passo para construirmos um auto-imagem completa, íntegra e positiva e assim podermos transmitir essa mesma imagem aos outros, de forma mais clara e genuína.
Apesar de sabermos que a perceção do outro pode ser enviesada, até mesmo por fatores alheios a nós, nada nos impede de tentarmos auscultar o feedback do exterior e o modo como somos recebidos. Na posse dessa informação, podemos aperfeiçoar a maneira como nos comunicamos e facilitamos o acesso das pessoas à nossa realidade interior.


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